blog-das-copas

Artur de Carvalho é jornalista, publicitário, ilustrador e escritor. Avesso a esportes em geral e a futebol em particular. Custódio é cartunista, meia-esquerda esfoçado e é mais apaixonado por futebol do que gostaria. Ambos escrevem e desenham lembranças de suas Copas do Mundo a partir de 1970.

domingo, julho 09, 2006

disseram que, em francês, Zidane quer dizer... Edmundo!!! ahahahaahahah


Consegui. No começo dessa Copa, o Custódio e eu enfiamos em nossas cabeças que íamos escrever sobre ela até o final do campeonato, ganhasse quem ganhasse. Bem, o final da Copa chegou. Hoje, depois do Zidane mostrar que é craque em todos os níveis,
especialmente na cabeçada, e a Itália se tornar tetra, finalmente terminou esse meu inferno astral. Inferno, sim senhor. Pois o ilustríssimo leitor não imagina como é difícil para mim escrever sobre uma coisa que eu considero absolutamente entediante sem deixar que o leitor perceba isso e caia no sono. Afinal, tudo não passa de onze homens correndo por um gramado, tentando chutar uma bolinha para o lado de lá, enquanto outros onze homens que estão do lado de lá tentam chutar a bola para o lado de cá. Tudo o mais é conversa fiada. E foi justamente a conversa fiada que me deu forças para passar esse mês mais ou menos incólume. A conversa fiada, aliás, sempre foi a salvação dos cronistas. O que seria de mim e de tantos outros cronistas se, nesses dias em que só se falava de futebol, não pudéssemos ter falado da gordura do Ronaldão? Ou da morte do Bussunda? O que diabos seria da cobertura da Globo se, de vez em quando, eles não tivessem mostrado aqueles surdinhos lendo os lábios do Parreira? E que graça teria essa final se o Zidane não tivesse dado aquela chifrada no italiano? Enfim, é isso. Nesse exato momento, estou dando a minha carreira como comentarista esportivo definitivamente encerrada. A não ser que apareça aí uma chance para eu comentar o próximo torneio de Wimbledon para o The Times of London. Mas eu duvido muito disso.

Fabio Grosso decide para a Italia

sábado, julho 08, 2006

Fíbulas fabulosas- Custódio


Pouco antes do início da Copa, o francês Sisse quebrou feio a perna em um jogo preparatório contra a China. Agora, se a França for campeã do mundo, ele vai ficar fora do título por essa fatalidade. Eu tenho também uma história desse tipo pra contar.
Lembram da fratura da fíbula do galãzinho Roger? Na época houve uma celeuma e uma comoção geral sobre o fato. O que ninguém sabe, porque inexplicavelmente não havia imprensa por lá, é que messes antes eu também fraturei a fíbula jogando o torneio de final de ano no sagrado gramado do clube AIE.
Como foram fraturas parecidas, resolvi fazer uma reconstituição dos acontecimentos em paralelo da minha fratura com a fratura do jogador corinthiano.
O lance foi parecido, o movimento de corpo e o local da fratura foram
idênticas. Confiram os lances minuto-a-minuto desse duelo.

minuto zero.
Roger:
- sofre a fratura e cai no chão.
Custódio:
- sofre a fratura e cai no chão.

10 segundos:
Roger:
- o banco do corinthians se movimenta
Custódio:
- sente o "créc" e tem medo de olhar o próprio pé.

30 segundos
Roger:
jogo parado, o pessoal chega pra ver o que aconteceu.
Custódio
- Elias fala: pô. olha a cera aí, caralho!

1 minuto
Roger:
- a maca elétrica parada no gramado, um médico especialista e dois auxiliares em volta verificando o que aconteceu.
Custódio fala:
- "Quebrou!. acho que quebrou!"
O Alemão responde: "calma, não tá nem torto!"

2 minutos
Roger:
- os médicos com uma tesoura cortam a meia, as tornozeleiras e a chuteira dele pra não piorar a fratura.
Custódio:
- pede pra alguém tirar a meia, tornozeleira e a chuteira do pé antes
que ele inche. "Se alguém cortar minha chuteria eu mato! É de couro e
tá nova!"

2,30 minutos
Roger:
- sai de maca elétrica para a beira do campo.
Custódio:
- Elias fala: "tira o cara pra gente continuar o jogo"
Dois marmanjos levantam e carregam ele até o banco coberto

5 minutos
Roger:
- já imobilizado, com tala, chora na maca na descida para o vestiário
Custódio:
- na beira do campo, com gelo no tornozelo, puto da vida, pede pra alguém o levar pro hospital.
Alemão fala: " calma, não tá nem inchado!"

10 minutos
Roger:
- chorando, entra na ambulância, cercado de médicos e imprensa
Custódio:
- "Pô, ninguém vai me levar pro hospital, caralho!"
O jogo continua e ninguém quer sair de campo pra pagar o mico.

20 minutos
Roger:
- já no melhor hospial de São Paulo, chorando, começa a bateria de exames pra ver se houve fratura e qual a extensão do problema
Custódio:
- ainda na beira do campo, espera acabar o segundo tempo do jogo pra alguém o levar pro hospital.
Alemão fala: "calma, o pé nem ficou roxo ainda!"

30 minutos
Roger:
- sedado na cama do hospital, continua a fazer exames.
Custódio
- o segundo tempo do jogo acaba e o Dario se volutaria a leva-lo.

40 minutos
Roger:
- acabam os exames e ele dorme em função dos analgésicos.
Custódio:
- no banco do passageiro do seu Palio, com o Dario no volante, segue pro hospital pela Estrada do Alvarenga, cheia de buracos. Com uma mão segurando o santo antônio do carro, com a outra segurando o pé quebrado, que tá solto, pra não balançar. Vai tentando contar piada pro motorista: e tem aquela do português...ai!... que entrou no convento... ai! ..

Uma hora depois
Roger:
- no hospital, recebe um telefonema da Galisteu, chorando e pedindo reconciliação.
Custódio:
- no hospital recebe uma bronca da Mari, que estava com mala pronta pra ir para o litoral naquela noite, uma viagem programada por três meses.

pós cirúrgico
Roger:
- na mesma noite, uma placa, seis parafusos na fíbula e reconstituição de ligamento
Custódio:
- uma semana depois, uma placa, sete parafusos e um pino. Os ligamentos foram substituídos pelo pino que segura o pé.

resultado final.
- Roger 6 parafusos
- Custodio 7 + 1 pino. Ganhou por um parafuso e um pino (veja na imagem a radiografia exata do lance)

O Roger voltou em 5 meses. Eu voltei em 10. Mas uma vantagem minha é que a Mari, minha namorada, também apresentava um programa de tevê (de jornalismo, em uma tv pequena a cabo) mas tinha acabado de ser demitida, então cuidou de mim por 3 meses.
Duvido que a Galisteu fizesse o mesmo por ele.

sexta-feira, julho 07, 2006

Quem cochicha o rabo espicha - artur


Das pouquíssimas coisas dessa copa que eu vou lembrar daqui uns anos, uma foi aquele quadro dos surdinhos da Globo. Sabe aqueles surdinhos que a Globo contratou, só pra ficarem lendo os lábios do Parreira e dos jogadores? Então. Aquilo pra mim foi uma das maiores inovações jornalísticas de todos os tempos, só comparável à tentativa frustrada de transformar o Casagrande num comentarista. Coisa revolucionária mesmo. Por mim, a partir de agora, toda equipe de reportagem que se preze devia sair com um repórter, um câmera e um surdinho a tiracolo para decifrar os sussurros dos entrevistados.
Eu sempre quis saber, por exemplo, o que é que aquelas autoridades que são chamadas para compor a mesa diretora das reuniões ficam falando durante a cerimônia. Já reparou o tanto que eles cochicham uns nos ouvidos dos outros? Volta e meia a gente vê na mesma mesa o
Geraldo Alckmin, o Lula, o Fernando Henrique Cardoso e o José Dirceu tudo ali, um do ladinho do outro. E eles ficam cochichando e rindo durante toda a cerimônia. Pombas, eles vivem se xingando pelos jornais e TVs, dizendo que o outro é um bêbado sem caráter, que o outro é um ladrão sem vergonha. Se alguém falasse umas coisas dessas de mim, na primeira oportunidade que eu tivesse eu enfiava era um tabefe na cara do pilantra, tá pensando o quê? Agora, eles não. Eles ficam cochichando e dando risadas, como se fossem velhos amigos relembrando casos antigos.
Olha, eu não sei se é mania de perseguição, mas todas as vezes que eu vejo uma cena dessas eu acho que eles estão rindo de mim. É verdade. A gente aqui, nessa pindaíba toda, e aqueles caras lá, gargalhando sabe-se lá por que. Parece gozação. Então, se os jornalistas começassem a levar um surdinho sempre com eles, talvez a gente conseguisse decifrar um pouco do que é que esses caras tanto riem. Se eles não estão rindo de mim, eu acho que tenho pelo menos o direito de saber qual foi a piada.

quinta-feira, julho 06, 2006

Zidane e a aposentadoria

quarta-feira, julho 05, 2006

Será que ainda tem algum brasileiro lendo um blog sobre a Copa?


Pombas. Você viu como é que aqueles italianos corriam atrás da bola naquele jogo com a Alemanha? A bola ia pra lá e pra cá, e eles todos correndo atrás, pareciam até treinados por alguém. E o que mais me espantava é que eles pegavam a bola e corriam em direção do gol da Alemanha! Você viu só aquilo? E eles corriam pra valer, tinha até uns deles que estavam meio suados, você percebeu? Suados! Agora, não deu mesmo para acreditar numa coisa. Quando os italianos chegavam perto do gol da Alemanha, sabe o que eles faziam? Eles chutavam a bola para o gol! É isso mesmo, você pode até não acreditar, mas eu vi o jogo inteirinho. Eles chutavam a bola para o gol a toda hora! Era inacreditável.
E você pensa que foi só nesse jogo? Não! Nesse da
França e de Portugal foi a mesma coisa. Todos eles também correram atrás da bola feito uns condenados! Pra ser sincero com você, parecia até que eles estavam tentando TIRAR a bola uns dos outros! Incrível, não é? Pois é a mais pura verdade! Era os franceses pegarem na bola que os portugueses vinham com tudo pra cima deles, chegando até mesmo a atrapalhar a jogada que os franceses estavam pensando em fazer. A impressão que dava é que eles podiam fazer aquilo tudo, entende? Correr atrás da bola, tentar tirar a bola dos jogadores adversários, e até mesmo chutar para o gol. Pombas, se a gente soubesse que podia fazer tudo isso durante um jogo de futebol, eu acho que o Brasil poderia até ter se saído melhor nessa Copa.

terça-feira, julho 04, 2006

Propaganda enganosa- Custódio


Deveria haver uma lei que proibisse qualquer propaganda sobre seleção brasileira na copa do mundo após a eliminação do time.
Qualquer propaganda: na televisão, no rádio, na internet e principalmente nas ruas.
Depois da derrota do Brasil eu tive que andar pelas ruas de São Paulo, sempre movimentadas. Se os carros tivesses caras como no desenho animado da Disney que entrou em cartaz, estariam todos de para-choques caídos numa parábola para baixo. Mas olhando para o horizonte, para cima ou para os lados, não havia escapatória: em cada outdoor, em cada lateral de prédio estavam lá, nossos jogadores, com cara de contentes, rindo… rindo de quê? Não são só os jogadores que poluem as ruas, é bom que se diga. Tem personagem de desenho, atores anônimos e até sanduíches com bracinhos ridículos balançando e “torcendo “ pra nossa seleção.
Mas o que incomoda mesmo são aqueles jogadores, que há pouco estavam olhando o Zidane fazer seu show, ali, enormes, poderosos, pedindo pra gente comprar o que eles oferecem. Que furada.
Quando voltei para casa, já meio tarde da noite, achei que estaria livre das propagandas do gênero, quando me aparece o Ronaldinho Gaúcho na tv, com seu laptop em cima da mesa, tentando me convencer a usar o netbanking dele. Ele fala que ali faz tudo, transações, paga contas e confere o saldo. Nessa hora aparece a tela do laptop e eu vejo ali no cantinho: o saldo dele é de R$ 4.250,00
Oquê? O saldo do Ronaldinho é de QUATRO PAUS?
Eles são que nem o Pareira: pensam que a gente é otário.

segunda-feira, julho 03, 2006

O Brasil é o melhor desclassificado da história de todas as Copas

Não sei do que é que esse povo está reclamando. Foi uma Copa de recordes para o Brasil. Acho até que batemos todos os recordes possíveis de se bater em uma Copa só. Nós tivemos, por exemplo, o melhor centroavante especializado em não fazer gols do mundo. Mas isso eu acho que outras seleções também tiveram em algum momento de sua história. Centroavantes que não fazem gols é uma coisa até que bastante comum, especialmente entre as seleções da Borússia e do Afeganistão. Mas o Brasil, com sua busca incessante por recordes, conseguiu, na mesma Copa, ter DOIS centroavantes especializados em não fazer gols. Um recorde insuperável. O Ronaldão ainda andou pipocando um pouco, fez um golzinho aqui, outro acolá, mas o Adriano corajosamente compensou seu companheiro e eternizanou a dupla como a maior recordista de não chutar a bola para o gol durante uma Copa.
Mas não fica só por aí, não. Nós tivemos também o melhor jogador na especialidade “errar passes”. Você percebeu como o Ronaldinho Gaúcho conseguiu passar por toda a Copa do Mundo sem acertar nenhum passe? É ou não é coisa de craque? Porque os jogadores das outras seleções, provavelmente por sua baixa qualidade técnica, volta e meia davam um chutão para a frente e a bola inacreditavelmente caía nos pés de um seu compatriota, num passe perfeito, embora absolutamente inconsciente. Mas o Ronaldinho Gaúcho não. Em passes curtos ou longos, escanteios ou cobranças de faltas, ele acertou TODAS as vezes nos pés do adversário. O Ronaldinho Gaúcho fez por merecer toda a expectativa criada em torno de seu nome e entrou para a história como o maior errador de passes de todo mundo, feito muito difícil de se superar até por jogadores de seleções especializadas no assunto, como o Japão ou até mesmo Gana.
E isso sem contar a criação de novas categorias de recordes, como o fez maravilhosamente bem nosso querido lateral direito
Roberto Carlos. Roberto Carlos, num lance de espantosa genialidade, ao perceber o jogador da França correndo para a área brasileira, em vez de correr atrás dele como o faria qualquer jogadorzinho medíocre, abaixou-se e arrumou sua meia, ao mesmo tempo criando e trazendo para o Brasil mais esse estupendo recorde: “o jogador que melhor arruma suas meias enquanto o adversário faz um golaço”.
E olha que eu nem falei dos inúmeros recordes batidos pelo Parreira, mas aí também já seria covardia.

domingo, julho 02, 2006

"Merde" e Amarelo- Custódio


Perdemos. Foi merecido.
Duas pessoas me falaram por telefone que foi armação. Não sei se fico surpreso por existirem essas teorias conspiratórias ou se pelo time se apresentar de um jeito tão abúlico que dá credibilidade pra essas teorias malucas.
Mas pra expressar minha opinião sobre o assunto sou obrigado a recorrer aos nossos hermanos argentinos. O titulo aí em cima foi a manchete do Jornal Olé, o periódico esportivo argentino. Resume bem o que foi o time: uma merde, que amarelou

sábado, julho 01, 2006

Eu tava torcendo pra França, mesmo... - artur


Não tô nem aí, eu tava torcendo pra França mesmo... A verdade é que eu não consigo torcer contra um país que tem La Marseillaise como hino. É verdade. E eu percebi isso logo no começo do jogo, quando me vieram lágrimas aos olhos quando tocou o hino da França, e quando tocou o hino do Brasil eu só conseguia me lembrar das minhas aulas de Educação Moral e Cívica e do mensalão. E tem mais. Como disse o grande filósofo Galvão Bueno ao término da peleja, "não se pode esquecer que isso é só um jogo de futebol".
Vive la France!

Au revoir

Reprovado

sexta-feira, junho 30, 2006

Desculpem: nao resistimos!


A frase ""Get up, Argentina are on the move" estava estampada nos ônibus da seleção Argentina durante a Copa.

Grandes Herois da Copa do Mundo


Seu enorme apetite não impede de abater os adversários. É que ele caiu dentro de um gol quando era pequeno.

Se Parreira fosse Deus – Custódio


O Parreira tem adoração pelo equilíbrio, pela linearidade e pelo controle. Acho estranho que seu passatempo seja pintar marinhas. Me parece que combina muito mais com ele o estilo Mondrian.
O fato é que com tanto recurso à mão pra fazer um time de futebol cheio de fantasia e inventividade, ele faz o possível para ter um time equilibrado, sem supresas, que estabeleça seu tão idolatrado controle. E me peguei pensando: imagina se o Parreira fosse Deus?
Acho que a obsessão dele pelo equílbrio traria algumas vantagens, por exemplo: nada de Katrinas e Tsunamis. Imagina, um acontecimento tão grandioso, descontrolado, desperdiçando energia e fazendo barulho. Isso bagunçaria todo o esquema certinho dele, então… fora. Vulcões também não existiriam. Os vulcões são, assim, mais ou menos como o Robinho, você nunca sabe o que vai acontecer no instante seguinte.Os vulcões seriam reservas no banco do Parreira. Terremotos também, nada de terremotos. Então, de repente, vai ver que se o Parreira fosse Deus até que a coisa seria melhor… será?
Acho que não. Por exemplo…não existiriam girafas. Você acha que um cara conservador como Parreira iria aprovar um projeto ousado como a girafa? Também não haveria focas. Veja, as focas são muito molecas, estão sempre fazendo malabarismos com a bola. Parecem estar rindo o tempo todo. São como o Ronaldinho Gaúcho. O Parreria logo ia enquadrá-las. Macacos também não. São muito ativos, imprevisíveis. Elefantes correriam alguns riscos, embora creio que ele aprovaria tendo em vista o desempenho recente do Ronaldo.
Pois eu acho que se Parreira fosse Deus o mundo teria muito menos graça.
Principalmente porque com a racionalidade dele, no mundo do Parreira não teria a paixão, que é a coisa mais sem controle, sem linearidade e previsibilidade que existe. Veja o Brasil: atua sem paixão.
E seria até melhor ele fazer o mundo assim, sem paixão mesmo.

Porque eu não tenho a menor dúvida de que se o Parreira fosse Deus, em vez da Eva, a companhia de Adão para toda a Eternidade seria o... Zagallo.

quinta-feira, junho 29, 2006

E o Bolão, hem? - artur


Só tem uma coisa que me irrita mais do que aquele cara que sempre inventa de fazer um bolão em dia de jogo do Brasil: aquele cara que aposta CONTRA o Brasil. Mas o que é que um cara que aposta contra o time que vai torcer pensa que está fazendo? Dando uma de intelectual existencialista? Ou pior, dando uma de economista? E dia de jogo do Brasil é lá dia de ser economista, meu deus do céu?
- É, porque, contra a França vai ser difícil, tasca aí: 3 a 1 para a França.
Mas, até aí, tudo bem. O cara aposta em quem ele quiser. O problema é que ele aposta na França e aí começa o jogo e o desgraçado torce para o Brasil.
- Mas você não apostou na França? Agora torce para a França, ué...
O cara desconversa, diz que também não é assim, que ele é brasileiro afinal de contas e que apostar contra o Brasil é uma coisa, mas torcer para a França é uma coisa bem diferente.
- Diferente no quê?
- Diferente, oras, afinal a gente tem que se garantir...
Mas garantir o quê se o bolão não dá nem cinquenta reais de prêmio? O que é que cinquenta reais vai garantir pra alguém? Pois eu pago
cinquenta reais para poder torcer tranquilo. Hora de jogo do Brasil não é hora de ficar pensando em dinheiro. Aliás, essa é a única coisa legal de uma Copa do Mundo. A gente pode esquecer um pouco do Lula, esquecer um pouco do Alckmin, esquecer um pouco das dívidas, esquecer um pouco de tudo. Aí vem o cara e aposta contra o Brasil, só para se garantir. Ah, vai te danar.

quarta-feira, junho 28, 2006

Grandes Herois da Copa do Mundo


O maior artilheiro da história das Copas

Só mais uma dose- Custódio


Acordei de manhã com uma sensação estranha.
Achei que era fome, então fui tomar meu café da manhã lendo meu jornal, como sempre. Li sobre o fraco desempenho do Brasil, sobre as outras seleções que continuam na Copa, mas o desconforto continuava. Depois do jornal, trabalhei um pouco no computador. Eu sou um daqueles que as pessoas chamam de privilegiados por trabalhar em casa (nem sempre é um privilegio, mas deixemos isso pra lá ). A sensação estranha continuava dentro de mim. Fui até a tv, já era próximo do meio dia. Vamos ver um jogo da Copa.
Êpa! O que é isso? Não tem jogo na tv? Era isso. Depois de três ou quatro jogos de futebol por dia por quase 20 dias consecutivamente, pela primeira vez não tinha nenhum jogo de futebol na televisão. Olhei para minha mão segurando o controle remoto e ela tremia. Quase que automaticamente, os dedos começaram a apertar os botões mudando de canal, procurando algum jogo de futebol. Nada. Não é possível, nem um videotape? Nem um joguinho? Nem uma bituca de Tunísia e Arábia? Ou uma pontinha de um Austrália e Croácia? Algumas gramas de Gana e Estados Unidos? Fui até o espelho e meus olhos estampava profundas olheiras. Meu cabelo estava desgrenhado e meu rosto tinha uma expressão que eu nunca vi em mim mesmo. Sentia um suor frio escorrer por baixo da minha roupa, meus joelhos tremiam e meus pés estavam incrivelmente frios. Tomado de uma sofreguidão incontrolável, peguei o carro e saí sem direção, desesperado atrás de uma dose qualquer de futebol. Instintivamente cheguei até a locadora de vídeo, a atendente veio simpática me oferecer o mais novo filme-de-arte-independente-estilo-europeu-que-eu-gosto, mas foi rechaçada com um safanão e se estatelou no chão. Vasculhando desesperadamente nas caixas expostas nas prateleiras, perguntei entredentes se ela tinha alguma coisa de futebol. “Sim, temos um ótimo DVD documentário da Fifa sobre todas as Copas do Mundo, muito legal, inclusive é um DVD duplo”. Onde está, onde está? “Infelizmente todas as cópias estão alugadas”.
Soltei um urro e saí batendo a porta de vidro, entrei no carro e disparei cantando os pneus. A 500 metros adiante vi uma creche em horário de recreio. Algumas crianças estavam se divertindo na quadra. Parei o carro e tentei subir pela cerca para acompanhar a partida emocionante entre o Maternal 3 e o Prézinho 1, mas as crianças começaram a gritar assustadas com aquele sujeito babando pendurado no alambrado de arame e o jogo acabou. Alguns seguranças da creche tentaram em vão me segurar e foram todos jogados ao chão. Saí novamente com o carro em disparada. Eu precisava me acalmar. Ter controle. Parei em um Shopping Center, e meus pés me guiaram para dentro de uma loja e departamentos. Lá, no setor de eletrodomésticos e equipamentos de vídeo, uma sala montada como demonstração exibia em uma tela de 53 polegadas e som dolby soundround um DVD de futebol na frente de uma poltrona vazia. Sentei-me, ofegante, com a roupa encharcada de suor, chorando de emoção. Aos poucos a calma pareceu voltar para mim, finalmente. Mas um vendedor apareceu desconfiado e perguntou se eu tinha interesse em comprar aquele aparelho. Eu não respondi. Logo três enormes seguranças me pegaram pelo braço e me colocaram naquelas camisas brancas com os braços amarrados. Um deles falou pelo rádio:
- Chamem os doutores. Apareceu mais um.
Alguns médicos vestidos de branco apareceram, junto com uns enfermeiros enormes.
- Este acabou de chegar, doutor- disse um segurança.
- É o sexto desde hoje de manhã. E isso ainda vai piorar- respondeu o médico.
Me levaram para um lugar distante da cidade. Não é lá muito bonito, mas eu não me importo. Quase não saio do meu quarto. Depois dos primeiros dias eles me desamarraram. Colocaram uma tv no meu quarto e um aparelho de Playstation. Não tem controles nem joysticks à minha disposição. Apenas o Playstation, com uma partida de futebol do FifaSoccer, em modo de demonstração. São dois times, o Brasil e um outro que eu não identifiquei. Mas isso não importa. Eles ficam jogando aquela eterna partida e futebol- sem meio tempo, sem fim de jogo, uma prorrogação eterna e sem fim. Estou calmo e feliz.
Outro dia ouvi os enfermeiros perguntarem para os médicos sobre meu caso. Um deles respondeu:
- Alta? Ele deve ter alta daqui a quatro anos. Vai poder sair e levar uma vida quase normal. Mas só durante a primeira fase da próxima Copa.

Puxa vida. Mal posso esperar.

terça-feira, junho 27, 2006

Deus nos Acuda! - artur


Se tem uma expressão na língua portuguesa que eu adoro é a famosa “deus-nos-acuda”. Nem sei se essa é uma expressão comum a todos os países que falam o português, mas não consigo me lembrar assim, de pronto, de uma frase que resuma de maneira tão sucinta o desespero do brasileiro comum. Quando gritamos “deus-nos-acuda” é porque se esgotaram todas as nossas forças e, dando-nos por vencidos, entregamos ao desconhecido o nosso futuro e o nosso destino. Gritar “deus-nos-acuda” é, ao contrário do desespero, uma espécie de última expectativa. É descobrir que, mesmo no fundo do poço, ainda nos resta uma tênue esperança pela surpresa, pelo milagre, pela redenção sobrenatural. Muito mais gostoso que aqueles três gols que eu gritei no decorrer do jogo contra Gana, foi aquele “deus-nos-acuda” que eu gritei quando o Dida tirou com os pés aquela cabeçada à queima roupa. Descobri que não importa nada. O ser humano sempre arruma um jeito de acreditar que as coisas, um dia, ainda podem dar certo.

Vai que e tua -Custodio


A pátria de luvas.

segunda-feira, junho 26, 2006

Beckhugo- Custodio


Se o Beckham vomitou assim depois de foder com o Equador, imagina quando ele tiver que foder com um argentino?

domingo, junho 25, 2006

Maior sacanagem esse negócio de jogo do Brasil na hora do almoço - Artur


Eu não sei de você, mas eu estou me sentindo meio lesado. Maior sacanagem esse negócio de marcar um jogo do Brasil para a hora do almoço. Hora de almoço é hora de almoço, oras. Tem que ser uma hora tranqüila, despreocupada. Se possível, com uns vinte minutos para a sesta. Agora os caras vêm e marcam um jogo do Brasil bem na hora do almoço? Assim não dá. Minha avó, por exemplo, não deixava a gente nem olhar para um espelho depois do almoço. Ela dizia que, se a gente olhasse para um espelho depois de comer, podia dar uma baita de uma congestão e aí nossos olhos se envesgariam para sempre e nossa cara se entortaria monstruosamente, e isso sem contar que, conforme a gravidade da congestão, provavelmente não distinguiríamos mais uma vassoura de um fusquinha 79. E agora os caras vão fazer todos os brasileiros ficarem na frente de uma televisão durante duas horas, ouvindo os comentários do Galvão Bueno e do Casagrande bem na hora do almoço? Isso vai dar problema, escuta o que eu estou dizendo, isso vai dar problema... Eu acho mesmo que devia haver até uma espécie de intervenção do Ministério do Trabalho. Tem que ter alguma lei trabalhista contra uma coisa dessas, não é possível...

sábado, junho 24, 2006

A estranha psicologia do penalti- Custodio


Em um comentário em um dos textos aí embaixo (que eu não vou dizer, quem quiser que procure) um amigo me acusa frontalmente de ser ladrão.
Isso mesmo, LADRÂO.
Nada de sacana, ou pilantra, ou mesmo sem-vergonha. Ele me chama de ladrão. Logo eu!
A razão disso é que em certo dia fizeram um jogo de cartunistas em um sítio, cheio de carecas e barrigudos. Eu, que estava machucado, com o joelho ferrado justamente por jogar bola, não quis arriscar minhas canelas naquela selva de pernetas e fui manquitolando para o gol, só fazer número.
Aí que uma certa bola foi levantada não sei de onde para a minha área. E eu dei uma empurradinha com o quadril no nosso colega que se preparava pra tentar cabecear. Foi sim, uma empurradinha, com o quadril, meio de lado. O suficiente para deixa-lo fora de ação. Ok, acho até que ele se estabacou no chão, mas nada com gravidade. Oras, se me perguntarem agora eu digo: foi pênalti. Mas em seguida eu retruco também: NENHUM GOLEIRO DAVA.
Qualquer um aí que já jogou bola sabe da estranha psicologia que existe em um pênalti. Ninguém “dá” um pênalti. Pode-se dar um lateral, uma falta no meio de campo, um empedimento escandaloso, até cavalheiristicamente chutar pra lateral numa bola duvidosa.
Mas pênalti não. Pênalti é como traição, a gente tem que negar até o fim, por mais escandaloso que seja. No pênalti não se faz julgamento de caráter. No pênalti não existe mentiroso, ladino ou esperto. No pênalti não existe santo nem carrasco. O pênalti é o vácuo da moral e dos bons costumes. É a disputa pela sobrevivência, a lei da selva. Quem faz não concorda. Quem leva não se conforma. E quem consegue enganar o juiz é que é o vencedor. Sem apelação.
Pois esse moço, rancoroso- depois de… três, quatro anos?- ainda fica remoendo aquele jogo, num feriado de sol em um lugar perdido no interior de São Paulo. E ainda por cima me chama de ladrão. Se eu soubesse que ia dar tanto pano pra manga, eu não dava uma empurradinha de quadril. Eu dava logo um belo pontapé.
Oras…. Ele que vá jogar críquete!

sexta-feira, junho 23, 2006

Um minuto para o intervalo


Vamos aproveitar essa espécie de entressafra de Copa do Mundo para discutir um pouco sobre uma coisa intimamente ligada a ela: a publicidade. Os publicitários, este ano, estão mesmo tendo que se desdobrar para parecerem minimamente originais. Eu também não vou falar aqui que os filmes estão ruins. Muito pelo contrário. Estão todos muito bons. Já me peguei mais de uma vez perguntando se alguém tinha visto aquele comercial do guaraná Antarctica com o Maradona. Ou aquele outro, que os argentinos ficam dando carrinhos e esmagando suas partes íntimas nas traves. Pra falar a verdade, eu acho que os comerciais, todos eles, estão sendo mais comentados até que os próprios jogos, de tão bem produzidos.
O problema começa quando a gente coloca um comercial atrás do outro. Aí todos eles ficam iguais. É aquele monte de bandeira, de robinhos, de ronaldinhos e kakás, bolas quicando pra lá e pra cá, que tudo fica absolutamente igual e a gente nem sabe mais do quê diabos era aquela propaganda. É nessas horas que eu me lembro de quando eu mudei aqui para o interior. Quando mudei pra cá, eu simplesmente não conseguia dormir. E só fui descobrir a razão muito tempo depois: era o silêncio. Quando eu morava em São Paulo, me acostumei a dormir com aquele barulho infernal de carros, caminhões e buzinas a noite toda. E agora, no interior, aquele silêncio era simplesmente enlouquecedor. E eu fico pensando se não seria melhor, por exemplo, durante a Copa do Mundo (no Carnaval também dava certo), se os publicitários colocassem apenas uma tela preta, em silêncio absoluto, e desenhada bem no meio da TV só a marca do produto durante todos os trinta segundos a que eles tem direito. No meio daquele fuá todo, isso sim ia ser uma propaganda original.
Quando o barulho é ensurdecedor, não há ruído maior que o silêncio.

quinta-feira, junho 22, 2006

Viva o Craque!- Custodio


Vamos falar a verdade: todo mundo sabe que ele é um craque.
Ninguém discute a capacidade e o talento dele pelos campos do mundo. A gente sabe que ele está sendo muito questionado na seleção, mas ele não tem mais nada pra provar pra ninguém. É toda uma história de dedicação ao Brasil, à camisa amarela, ao futebol brasileiro. Mesmo meio baleado, mesmo meio gordinho, mesmo sem se mexer como em copas anteriores, ele sem dúvida tem que ser lembrado. E se o Brasil chegar ao Hexa, vamos lembrar desse Brasil e Japão e fazer justiça ao nosso grande e eterno craque.
Vamos levantar a taça, lembrar dele e gritar em um só som:



OBRIGADO ZICO!

Esse povo muda de opinião como muda de meia - Artur


Gordo? Quem é que estava gordo? Como é que o maior artilheiro de todas as Copas pode estar gordo? E se estivesse, o que é que tem também? Ninguém tem nada com a gordura do Ronaldo oras, o mais rápido jogador de todos os tempos. Veja só como ele corre, parece até um... um... um guepardo! É, um guepardo! O animal mais veloz da terra! E o Parreira, então? Não sei o que é que esse povo fala tanto, viu meu deus do céu. Um homem que consegue formar um conjunto, dar uma cara para um time, com tão pouco tempo de treinamento, isso não é para qualquer um não. O Parreira é uma espécie de gênio da humanidade, essa é que é a verdade. O Parreira vai entrar para a história, e não apenas para a história do futebol, não. Nem apenas da história dos esportes. O Parreira vai entrar para a história como um dos maiores estrategistas da civilização ocidental. Escreve aí o que eu estou falando. É Alexandre, o Grande. O Napoleão. E o Parreira. Pode escrever aí o que eu estou dizendo: nossos netos vão estudar o Parreira na escola! Na escola, não. Nas universidades! As estratégias do Parreira ainda vão virar teses de mestrado!

Parreira, meio óbvio como sempre

quarta-feira, junho 21, 2006

Você já não enjoou da Copa do Mundo, não? - Artur


Vem cá, é impressão minha ou essa Copa do Mundo está durando mais que as outras? Não é possível, eu não aguento mais nem ouvir falar de Copa do Mundo. A gente não pode ligar a televisão, o rádio ou abrir o jornal que já começa a escorrer verde e amarelo para todo lado. E a internet, que na última Copa do Mundo foi a minha tábua de salvação, esse ano está o mesmo inferno. A gente nem conectou direito e já começam a piscar milhares de pop-ups com bandeirinhas do Brasil, resultados dos jogos, clique-aqui-e-veja-irã-e-croácia-ao-vivo, esse tipo de coisa imbecil que só mesmo quem não tem o que fazer acompanha. E, como se não bastassem os meios de comunicação, agora a minha própria esposa está absolutamente vidrada em futebol. Ela conseguiu a façanha de assistir ao jogo da Costa do Marfim contra a Sérvia e Montenegro torcendo de roer as unhas, e ainda a de manter sobre a mesinha da sala uma dessas tabelinhas promocionais da Copa sempre com uma caneta ao lado, para ir atualizando conforme o andar do campeonato. E ai de mim se chego perto do controle remoto para tentar mudar de canal quando começa uma daquelas intermináveis mesas redondas. Ela me dá a maior dura por minha alienação perante um dos maiores eventos esportivos da história da humanidade, que o mundo inteiro está assistindo e só eu que quero ficar de fora, e não sei quê não sei que mais.
Bons tempos aqueles em que o futebol era o
ópio do povo, viu...

se metendo no blog dos outros - Spacca

Spacca - enviado especial - São Paulo


terça-feira, junho 20, 2006

Parreira X Zico

Continuando as lembranças: Copa de 1978- Custódio


Da Copa de 1978 eu lembro do frio.
Não sei se estava muito frio mesmo, ou se era porque foi uma das poucas disputadas com mangas de camisas compridas. Como foi em junho na Argentina, era inverno lá e aqui, diferente das outras Copas como no México, Europa ou EUA, quando junho é verão por lá. E não sei se por causa daqueles jogos todos com times de camisa compridas, a sensação foi de uma copa fria. Lembro também do time argentino, cabeludo, o perigoso Mário Kempes e um grandalhão chamado Luque. A gente falava deles como se fossem bandoleiros temidos do velho oeste. Eu torcia para o Jorge Mendonça, jogador do Palmeiras, tirar o Zico do time titular. Olhando historicamente hoje, seria uma grande injustiça. Inclusive nessa Copa teve o famoso gol de cabeça do Zico anulado pelo juiz quando a bola estava viajando no ar vinda do escanteio. E teve a entregada do Peru pra Argentina.
A Copa de 78 foi também a razão pra chegar a primeira televisão colorida em casa. Nós tínhamos ainda televisão preto e branco. Uma tevê colorida era na época quase como... uma tevê de plasma, hoje. Olha como o mundo não muda nada.
Meu pai foi comprar a tv, se não me engano uma Telefunken que ficou na família por mais algumas Copas depois daquela. Lembro quando meu pai chegou em casa e falou: eles vão entregar até o dia do jogo.
Para quem vai hoje em um supermercado comprar uma tevê e sai com ela no carrinho, cabe a explicação: naquela época se compravam as coisas, mas tinha que esperar o caminhão de entregas. Não era “on demand”.
Bem, o fato é que eu sempre fui um cara muito desconfiado. Ou meu pai estava me enrolando, ou os caras da loja estavam enrolando ele, e eu fiz um certo escândalo. Eu adorava futebol, queria ver a Copa, mas ver a Copa em uma tevê velha, toda remendada e ainda por cima PRETO E BRANCO era demais para meu romantismo de onze anos. Pobre do meu pai. No dia da estréia do Brasil contra a Suécia, toca a campainha de manhã e o caminhão de entrega estava lá. A televisão chegou. Só que a turma de crianças da minha rua resolveu assistir ao jogo na casa de um dos garotos, junto com mais alguns vizinhos. Havia a possibilidade de a menina que eu gostava ir também. Eu me mandei pra lá.
Meu pai assistiu ao jogo com minha mãe, meu irmão e minha irmã, que eram pequenos demais pra entender muito bem tudo aquilo.
Até hoje me dói a injustiça que fiz com ele. Mas não seria a última vez que eu faria besteira por causa de uma garota. Ou de um jogo de futebol.

segunda-feira, junho 19, 2006

Mostrando os peitões - Artur


Eu estava passeando de carro pela praça aqui de Votuporanga onde o pessoal costuma comemorar as vitórias dos seus respectivos times. A coisa por lá já lota quando é o Corinthians, o Palmeiras, o São Paulo e até quando o Santos é campeão de alguma coisa. Quando a seleção ganha, então, a coisa vira um inferno. Havia uma multidão de pessoas, toda ela devidamente bêbada, e a maioria formada por uma molecada que pulava, gritava e cantava qualquer coisa que rimasse com Brasil, recurso que, aliás, desagradou profundamente alguns policiais que estavam tentando manter a lei e a ordem e que não gostaram nem um pouco de uma rima lá, que não vem ao caso agora. Bem, aí eu estava passando por ali, observando uma roda de samba que havia se formado numa das esquinas da praça quando, de repente, uma das meninas que estava dançando se virou pra mim, sorriu, levantou a camiseta e... me mostrou os seus peitões! Veja bem. Não tenho nada contra as comemorações, e também não tenho nada contra peitões (embora, no caso, prefiro-os um pouco menores e empinadinhos), mas o Brasil só ganhou da Austrália, deus do céu! - um país que só muito recentemente descobriu a diferença entre o rugby e o futebol e que, assim mesmo, ainda esquece constantemente dessas diferenças, como podem comprovar as marcas que ficaram na canela do Ronaldão. Agora, se aquela garota continuar nesse entusiasmo, eu não quero nem estar por perto se o Brasil for campeão. Ou quero, sei lá.

domingo, junho 18, 2006

Brasil X Australia- Custodio



- O que você achou do jogo?
- Ah… bem mais ou menos. Até gostei de algumas coisas, mas não gostei de outras.
- Gostou do quê?
- Gostei do Kaká… e do Lúcio…e do…Robinho no final.
- É, o Robinho entrou bem…
- Então. Deu pro gasto. Pelo menos ganhamos e disso eu gostei.
- E do que você não gostou?
- A homenagem. Achei bem ruim.
- Que homenagem?
- A do Ronaldo. Ele não é bom naquilo.
- Naquilo o quê?
- Não, naquilo. Aquilo que ele fez. A homenagem, oras!
- Que homenagem?
- Oras, a homenagem que o Ronaldo fez. Você não viu? TODO mundo viu!
- Que raio de homenagem?
- Oras, ele passou o jogo todo imitando o Bussunda.

Fred? Que Fred? - artur


Meu deus do céu, quem é esse Fred? Eu pensei em fazer uma caricatura dele, mas o que é que ia adiantar se ninguém sabe a cara dele? Tudo bem, se você está aí, lendo um blog sobre Copas do Mundo, deve entender um pouco mais de futebol que eu e deve saber quem é esse Fred. Mas eu estava aqui, assistindo ao jogo com a Austrália, acompanhado de um bando de pessoas normais, e ninguém sabia quem era esse Fred. Teve um lá que disse que sabia, que o Fred jogava num time europeu mas que não lembrava qual, mas isso não vale, oras, já que quase o time todo do Brasil joga na Europa. É claro, também, que se eu procurar na internet, vou acabar descobrindo quem é esse tal de Fred, mas aí não tem graça. Em todo caso, agora o meu maior ídolo de todos os tempos não é mais o Lúcio. É o Fred. Por mim, ele devia entrar no time titular logo de uma vez. E no lugar do Ronaldinho Gaúcho, que é pra mostrar pra esses caras que a gente ganha deles até com o time reserva, tá pensando o quê?

Brasil X Australia

sábado, junho 17, 2006

Um especial para o Bussunda - Artur

Dar umas risadas. Imagino que não tenha jeito melhor de homenagear um comediante.

Bussunda- Custodio


Corre uma lenda que humoristas, cartunistas ou escritores que são também humoristas, vivem muito.
Bernard Shaw viveu até os 94 anos. Hirschfeld, um dos maiores caricaturstas de todos os tempos, morreu aos 99. Mark Twain, outro escritor que primava pelo humor e ironia, viveu até os 75 anos e o Barão de Itararé, foi-se aos 76 anos, o que não está mal. Temos aqui, benzadeus , Millor, Ziraldo, Jaguar, Chico Anísio, todos firmes e fortes.
Eu tinha pra mim que estava na profissão certa. Podia não ganhar muito, podia não ficar rico nem famoso nem nada, mas pelo menos viveria bastante.
Foi-se o Bussunda, e com ele todas as minhas esperanças.

sexta-feira, junho 16, 2006

Ferrar o Brasil da azar- Custodio



Se você está acompanhando a Copa um pouquinho, já ouviu falar que a seleção da França está ha um tempão sem marcar gol em Copas.
Não é que ela não ganhe jogos, ou perca. Ela NEM FAZ GOLS.
O último gol da França em Copa foi justamente o terceiro gol contra o Brasil na final de 98. Ou seja, a França não marca UM gol em Copas há quase oito anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é praga de brasileiro.
Aí eu fui lembrando do histórico de derrotas dolorosas da seleção, e segui a rota dos adversários que ferraram a gente. E descobri que, em economês, vencer o Brasil é um bom investimento a curto prazo, mas péssimo a médio-longo prazo.
As derrotas mais avassaladoras foram, claro, em final de Copas. Foram duas: contra a França em 98 e contra o Uruguai em 50. O que aconteceu com a França eu já disse, vamos ver se ela se recupera esses dias. Com o Uruguai, foi pior. Pois o Uruguai, depois daquela vitória em pleno Maracanã, nunca mais chegou a lugar nenhum. Nunca mais foi protagonista em Copas, nem disputou títulos. Uma zica monstruosa.
Em 54, perdemos para a Hungria, que era um timaço. Resultado: eles perderam a Copa pra Alemanha e sumiram do mapa. Outra derrota foi pra Portugal, em 66. Éramos bi-campeões, e o time português, comandado por Eusébio, desmontou o Brasil com pancadas em Pelé e um 3 a 1 sem piedade. Depois disso… Portugal nunca mais fez nada que preste. Praga feia. Em 74, perdemos para a Holanda na semi-final, um 2 a 0 bem justo, diga-se. Mas os Holandeses depois caíram contra os alemães na final, perderiam a outra Copa para a Argentina e passariam eternamente a serem os laranjas que amarelam em Copas. Toc, toc, toc. A Copa de 78 não trouxe derrotas, mas o Peru, depois daquela entregada histórica pra Argentina, mereceu o ostracismo em que caiu desde então. Catiça brasileira.
Em 82 temos o trauma de Sarriá. Aí a praga não pegou direito, ou demorou pra fazer efeito: a Itália do Rossi ganhou a Copa. Mas logo depois a praga deu certo e desde então eles também passam em branco em todas as Copas, e até chutaram por cima do nosso travessão na final, pra provar que a macumba é boa. A Argentina tirou a gente em 90, aquele gol do Caniggia, mas depois parou na Alemanha e também deu tchau-tchau pra qualquer pretensão nas Copas seguintes. Até deu Maradona pego no anti-doping.
Então, nessa Copa, eu só tenho medo da Alemanha. E da Espanha, que nunca ganharam da gente e nem tiraram títulos importantes. São até meio fregueses. Porque quem ferra brasileiro, acaba se ferrando.
Só me pergunto uma coisa: como é que essa praga não pega em nenhum presidente?

Atacante plantado

quinta-feira, junho 15, 2006

Ainda temos alguma chance- Artur


Como é que um time daqueles pode fazer tamanho papelão? O Brasil inteiro assistindo, será que eles não sabem a responsabilidade que têm? Se não sabem, é só assistir aí, na televisão, ou ver nos jornais. Em toda esquina tem uma turminha pintando os muros de verde-e-amarelo, pendurando bandeirinhas nos carros, vestindo os cachorrinhos com roupinhas da seleção. É, cachorrinhos. Uma vizinha minha vestiu o poodle dela com uma roupinha do Brasil. E isso sem contar as crianças. Acabou o jogo e a gente podia perceber aqueles olhares tristonhos, marejados. Não se pode fazer uma coisa dessas com as crianças, desapontar elas desse jeito. Pra algumas delas era a primeira Copa, cê tá me entendendo? Uma coisa que fica gravada na lembrança para sempre. É só a gente pensar nas Copas que a gente assistiu que você vai ver como essas lembranças são importantes. O que é que você lembra de 1970, por exemplo? Pois eu lembro do tri, veja só que lembrança boa que eu guardo. E olha que em 1970 a coisa tava feia aqui pelo Brasil, com o Médici e tudo o mais, mas se alguém chega pra mim e me pergunta o que é que eu lembro do ano de 1970, eu vou falar que lembro do Jairzinho, do Tostão e do Pelé, é disso que eu vou lembrar. Agora, veja só a irresponsabilidade desses jogadores aí, tava todo mundo esperando tanto deles... E olha que era a Croácia, a Croácia! Eu nem sabia que se jogava futebol num país desses, Croácia... Agora, se o Brasil não conseguiu ganhar nem da Croácia, não ganha de mais ninguém e...
- Espera um pouco aí, mas o Brasil ganhou!
- O quê?
- O Brasil
GANHOU da Croácia, um a zero, lembra?
- Puts, é mesmo...
E aí ele sorriu, levantou os dois dedos e saiu cantando, enrolado na bandeira brasileira:
- ÊÊÊÔ ÊÊÊÔ ÊÊÊÔ BRASIL!

quarta-feira, junho 14, 2006

O verdadeiro quadrado da seleçao- Custodio


“Se o Brasil não jogou bem, então acho que assisti a outro jogo. O nosso time jogou o futebol brasileiro, de toque de bola e de paciência diante de um adversário tradicionalmente difícil. Gostei muito da seleção, da raça do time, que soube se superar dentro de campo e chegar ao que, na minha opinião, foi uma grande vitória”
Carlos Alberto Parreira.

Qual o esporte preferido dos brasileiros?
Futebol, é claro.
E qual o SEGUNDO esporte preferido dos brasileiros?
Falar mal do técnico da seleção.
Pois já faz algum tempo que este segundo esporte nacional anda meio esquecido. Está na hora de voltar a praticá-lo.
Todo mundo gosta do Parreira. A imprensa, o torcedor comum, todos falam bem da serenidade, da tranquilidade, do equilíbrio dele.
Eu nunca gostei muito do Parreira. Lembro que ele teve uma passagem péssima na Seleção em 1983, depois que o Telê saiu. Um ano depois ganhou o título brasileiro de 1984 com o Fluminense, com o Branco e o Ricardo Gomes no time. Foi o único título de peso que ele ganhou por um longo tempo. Perambulou por seleções árabes e voltou ao Brasil pra dirigir o Bragantino, depois que o Luxemburgo saiu. Assumiu depois a seleção de 1994 e não convocava o Romário, talvez porque fosse um jogador incontrolável, e ele não admite isso. Chamou o baixinho na marra, e no último jogo das eliminatórias contra o Uruguai foi salvo por ele. Também foi salvo por ele na Copa.
Parreira depois passou por vários clubes, sempre com resultados medíocres. Só voltou a ganhar algum torneio importante no Corínthians. Foi quando pela primeira vez (e única) eu admirei um time montado pelo Parreira. Depois da Copa de 94, ele disse que nunca mais dirigiria a seleção. Depois do Penta, com o ambiente favorável e um monte de jogadores excelentes à disposição, rapidamente mudou de idéia e resolveu assumir o time de novo.
Quando apareceu essa história de quadrado mágico, ele, um defensivista convicto, foi contra. Assim como no caso Romário, não teve como sustentar a escolha e voltou atrás.
Para um time cheio de craques como é o Brasil hoje, eu cheguei a achar que talvez o Parreira fosse mesmo a melhor opção. Afinal, é um cara que dá solidez a um time com vocação para ser habilidoso e pouco marcador. Digamos que ele seria um mal necessário.
Mas bastou um jogo para voltarem todos os fantasmas parreirísticos na minha mente. Se os times do Parreira são equilibrados, também são incapazes de mudar. De variar de jogo. De inventar uma alternativa tática. De dar chance ao acaso funcionar a nosso favor. Os times do Parreira são sempre mais do mesmo.
Se com o Felipão a gente sofria por causa da mística, daquele emocionalismo quase esotérico que ele tem, de ganhar tudo sofrido, e que os palmeirenses bem conhecem, com o Parreira a gente sofre porque ele insiste em conduzir um time, que poderia voar alto, dentro do limite de 60 km por hora, com medo de virar na curva.
Minha esperança é o Robinho. Sim, porque nele eu vejo aquele fio de luz capaz de ficar ouvindo o Parreira ali, do lado do banco, dando todas as instruções do que ele tem que fazer, e depois que entrar em campo, esquecer tudo e fazer como achar melhor.

Em tempo: a frase ali em cima do texto foi dita pelo Parreira depois de uma vitória magra contra a Suíça em… 1983!

terça-feira, junho 13, 2006

Brasil 1 X 0 Croácia - Artur


Não teve pra ninguém. Nada de Ronaldinho, Ronaldão, Kaká, nem nada disso. Só deu Lúcio. A partir de agora, ele é o meu novo ídolo. O que falta nessa seleção, talvez até mesmo nesse país, são mais Lúcios. Devia ter uma criação de Lúcios por aí, para eles serem melhor distribuídos. Uma hora ou outra, todo mundo precisa de um Lúcio por perto. Que falta, por exemplo, não fez um Lúcio na minha turminha da escola. Naquela época, minha turma era admirada por todos. Por todos os professores, é claro. Tirávamos dez em tudo, fazíamos as melhores redações, a tabela periódica era fichinha. Física então, puts, tinha um carinha da minha turma chamado Percival que sacava tudo de Física, hoje ele deve até estar trabalhando para a NASA ou coisa parecida. Éramos, enfim, os gênios da escola. Isso tudo dentro da classe. Porque, fora dela, éramos um fracasso. Nosso pesadelo eram as aulas de Educação Física. Eu era um gordinho sem graça, que na hora do futebol sempre escolhiam para jogar no gol, talvez para preencher mais espaço. O Percival tinha um problema na coluna que o impossibilitava até de dar um piquezinho de dez metros. E olha que nós éramos os melhorzinhos da turma. O resto era um bando de moleques cheios de espinhas na cara, aparelhos nos dentes e óculos fundo de garrafa, que não tinha uma menina que olhasse e que, pior, os outros meninos tinham muita raiva por causa das nossas notas. A gente não podia nem olhar para os outros caras, que levava um peteleco na cabeça. E a gente tinha que ficar quietinho, fazer o quê? Tínhamos um cérebro, mas ninguém briga com o cérebro. A gente briga com o... o... com o Lúcio!

segunda-feira, junho 12, 2006

É a estréia!

Amor de Time e amor de Seleçao- Custodio



A poucas horas da estréia do Brasil na Copa, os corações já palpitam. Mas eu pergunto:
Você gosta mais da seleção ou do seu time?
Nessa época de Copa, até o Artur vira torcedor. Quando o Brasil perde, é a nação inteira fazendo cara de pastel murcho, aquele ar sorumbático de quem não queria estar sentindo aquilo.
Lembram de quando o Brasil perdeu a final pra França em 1998?
Inventaram até que o Brasil tinha facilitado o jogo. Eu não fiquei traumatizado. Talvez porque o Brasil nunca tenha chegado nem perto de ganhar aquele jogo, mas o fato é que a derrota não doeu em mim mais do que algumas derrotas do meu time.
Porque o time joga sempre. A todo momento ele testa seu amor, seus limites, sua paixão. Ele te trata mal muito mais do que bem. Você fica muito mais infeliz do que feliz. Basta ver que em um campeonato de 20 times, só um ganha. Amar um time é um masoquismo estatístico. Mas mesmo assim você ama. E sofre. E fica feliz com apenas um afago, um carinho, uma vitória aos 43 do segundo tempo, injusta mas redentora. Amar um time de futebol é como amar uma mulher que te faz de gato e sapato, te trai e te pisa, faz você ser motivo de piadas dos vizinhos, e mesmo assim você não consegue deixar.
Se amar a seleção é amar heróis, amar o time é muitas vezes amar o bandido, o errado, aquele que não merece ganhar.
Já torcer pro Brasil é fácil. Em que time jogaram Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, Didí e Ronaldinho? Pro Brasil. Quem é mais vezes campeão e quem joga mais bonito? O Brasil. Torcer pro Brasil é moleza. Difícil é torcer pro Palmeiras.
Se a gente olha bem, torcer pro Brasil é como torcer pro mocinho do filme de cinema. Você senta, pega a pipoca, sabe que vai rolar um espetaculo, e sabe que os mocinhos estão do seu lado. Sabe que vai ver vários efeitos especiais e que as chances de final feliz são muito grandes. E se o espetáculo é ruim, você reclama. A seleção já tomou muitas vaias, mesmo ganhando. Porque a gente quer um futebol-Hollywood. Amar a seleção é fácil como amar o… Indiana Jones de chuteiras.
Por isso eu já preparei a pipoca e a cerveja. Vou sentar no meu sofá e assistir ao espetáculo. Quero alegria, diversão e efeitos surpreendentes. Dispenso um romance no meio (quem quer ver os Ronaldos em cenas de amor?), mas faço questão que os mocinhos vençam no final.

domingo, junho 11, 2006

Novos torcedores - Artur


O motoqueiro emparelhou com meu carro. Levantou a viseira do capacete, apontou para baixo e gritou - O pneu está murcho! Eu parei uns metros depois. Estava mesmo. Aqui no interior tem dessas, às vezes não é gozação. Achei uma borracharia umas quadras adiante. - Pode esperar, em dez minutos tá pronto. Sentei num banquinho e fiquei olhando a TV ligada. Era um jogo da Copa. Sei lá de quem.
- O Van Nistelrooy é foda.
O comentário foi do rapazinho que tentava descobrir onde é que estava o furo do meu pneu. Com um olho, ele procurava algum prego na borracha, com o outro acompanhava o jogo. Parece que o
Van nãoseioquê era um jogador da Holanda. Segundo ele, um bom jogador, mas não tanto quanto o Robben (que logo depois fez um gol). Eu fiquei pensando em como é que esse moleque sabia tanto de futebol. Pombas, eu nem conseguia pronunciar aquele nome direito. Pra falar a verdade, outro dia eu não consegui escalar a seleção brasileira titular sem dar uma pesquisada antes. E esse borracheirinho aí, de meia tigela, sabia até o nome do treinador da Holanda.
- Van Basten, o senhor deve conhecer, ele era da seleção de 90.
- Mas como é que você sabe tanto de futebol assim, cara? Você lê nos jornais, coleciona álbuns de figurinha, pretende seguir alguma carreira no futebol, ou o quê?
- Nada disso, é que eu jogo muito videogame.
- Videogame?
- É, videogame, aqueles
jogos da FIFA, sabe? Cinco reais.
- O quê?
- Cinco reais. O pneu, já tá pronto.
Ficou barato.

se metendo no blog dos outros - Arnaldo


Arnaldo Nogueira Jr

enviado especial-RJ

direto do Releituras

Devo confessar que desanimei do futebol após a saída do Pelé dos campos nacionais. No esplendor de meus 13 anos, via o endiabrado moleque dar arrancadas em direção ao gol que não havia quem o segurasse. Antônio Julião e Benedito Julião - se não me falha a memória, dupla de beques (era assim que chamavam os zagueiros naquela época) não poucas vezes agarraram o corisco pela gola da camisa e acabaram ficando com ela na mão. Ele, sim, pode ser chamado de fenômeno. Ganhava uma merreca (roubada, quando já de bom tamanho, pelo seu agente Pepe Gordo) e jogava pelo amor à camisa santista, humilhando o time adversário com suas jogadas geniais. Brinquinho de brilhante na orelha, nem pensar. Aviões particulares, modelos disponíveis para levar um drible no meio das pernas, só na moita. Nenhum técnico dizia que fulano estava "sem ritmo de jogo", nome que se dá hoje à vagabundagem dos futebolistas. Da avidez da imprensa em obter ou criar fatos novos, fuxicos, etc, nem vou falar. É uma coisa nojenta. São os narradores do óbvio. Todos enriquecendo falando bobagens do tipo "- Aí ele pensou assim: vou passar...". Como é que uma besta dessa, sentada em uma cabine climatizada, sabe o que o suarento ponta esquerda está pensando? Bons tempos os de Fiori Giglioti, Waldir de Freitas, Mário Moraes, Raul Tabajara e outros mais. Esse blog, pelo menos, me dá a oportunidade de relembrar coisas, embora, pela minha idade, muito já se tenha perdido e apagado de minha retentiva. Tenho duas boas:

1) Locutor fazendo seus comentários iniciais:"A temperatura está muito boa, o sol está a pino desde às 11 da manhã e a grama está apetitosa".

2) Quando trabalhava em um banco, um de meus funcionários era locutor de partidas de futebol. Um outro colega vivia pedindo para trabalhar com ele, nem que fosse só por um jogo, como repórter de campo. Tanto encheu que conseguiu. No dia do jogo, lá foram eles para o campo. Tudo corria bem até que aconteceu uma jogada estranha na área do time visitante e, no meio da confusão criada, disse o locutor: - Fulano, o que é que houve? E ele, distraído vendo a briga armada: - Ouve PRC9, Rádio Educadora de...

sábado, junho 10, 2006

A numerologia das Copas- Custodio


Eu não acredito em quase nada.
Não acredito em religião, em político, em extraterrestre, nem no Parreira eu acredito muito.
Muito menos em numerologia. Mas na hora da Copa todo mundo fica meio crente, então não custa nada contar com uma forcinha dos números...Circula pela internet um spam falando sobre a “numerologia” das copas. Pegue uma calculadora e faça as contas comigo:
O número “mágico” é 3964. Guarde ele.
Desde 1962, se você subtrair de 3964 o ano que uma equipe ganhou, mostra o ano que ela vai ganhar de novo. Pode tentar aí que você vai ver como funciona.
Por exemplo: alemanha ganhou em 1974, então 3964-1974= 1990. E ganhou mesmo em 1990.
A Argentinha ganhou em 1978, então 3964-1978= 1986, e ela ganhou mesmo este ano.
Vejamos o Brasil: ganhou em 1962, então 3964-1962= 2002. Certo.
Ganhou também em 1970, então 3964-1970= 1994. Certo.
Por este cálculo, o Brasil ganhou em 1958, portanto 3964-1958= 2006.
A Copa está no papo!
Apesar de ser uma lástima em matematica, eu quis entender como os números poderiam dar coincidências tão grandes. Não sei se descobri, mas achei outra curiosidade interessante.
As Copas do Mundo ditas “modernas”, são aquelas acontecidas após a 2ª Guerra e com ampla cobertura de mídia, ou seja, depois de 54.
Elas obedecem um certo padrão de vencedores. São os países que viraram potências futebolísticas mundias após o extremo profissionalismo do esporte e suas seleções se revezam no topo da competição. Há uma lógica aí.
O curioso é que elas se alternam de uma maneira que obdece um padrão..
Imaginando que a copa de 82, na Espanha, ganha pela italia, seja o "marco zero", e se numerarmos os vencedores pela ordem, acaba-se com o seguinte padrão :
0-itália,
1-argentina,
2-alemanha,
3-brasil,
4-(inglaterra ou frança),
5-brasil,
6- brasil,
7 alemanha.
Isso vale subindo na contra-mão de 82 até 54 ou descendo até 2002. É como se os vencedores viessem vindo em certa ordem, aí bateram em 1982 e começaram a se revezar de novo de trás pra frente.
Por alguma razão o vencedor bem do meio, o número 4 deu “errado” (a Inglaterra não repetiu 1966 em -3964-1960= 1998 deu França) mas, se olhar bem, são também coincidentes: Inglaterra e França, além de vizinhos e de uma história cheia de ligações, jogavam em casa e ganharam sua única copa.
Olhem embaixo.

7-alemanha (54)
6-brasil (58)
5-brasil (62)
4-inglaterra (66)
3-brasil (70)
2-alemanha (74)
1-argentina (78)
0-italia (82)
1-argentina (86)
2-alemanha (90)
3-brasil (94)
4-frança (98)
5-brasil (02)
6- brasil ?

O gaiato que "inventou" a teoria do 3964 só pegou a Italia como "zero" e dobrou (1982 + 1982=3964). O resto já estava pronto.

Pra continuar “dando certo” esta “lógica numerológica", o Brasil (6) precisa ganhar essa. Daqui a um mês a gente descobre se essas duas “teorias” ainda continuam valendo. E se der, a Alemanha (7) tem que ganhar a proxima na Africa do Sul. Assim fecha o ciclo.

Já em 2014, parece que vai ser no Brasil.
Podem acontecer duas coisas:
Ou a teoria da “corrente” começar de novo sua volta (6,5,4...) e o Brasil (6) ganha de novo,
Ou a "teoria do número “3964” se apllica e teremos... 3964-2016= 1950!
Imaginem o Uruguai ganhando de novo no Maracanã.
Cruzes!

sexta-feira, junho 09, 2006

Hoje tem marmelada? - Artur


O bom humor do brasileiro é uma espécie de unanimidade internacional. É um repórter lá na Alemanha encostar um microfone na boca de um turista e perguntar o que há de melhor em nosso país que o turista sapeca:
- É a alegria do brasileiro.
Está certo que a outra coisa que os estrangeiros adoram no Brasil são as mulatas, mas não pega bem para um turista de sessenta e sete anos confessar bem ali, ao lado de sua digníssima esposa e para toda imprensa internacional, que o que ele mais gosta do Brasil é
a bunda da mulata. Então, por via das dúvidas, ele fala é da alegria do brasileiro, o que dá mais ou menos na mesma. Sei que essa fama de país bem-humorado pegou de tal maneira que acabou se estendendo até mesmo para as nossas coisas que deram certo. Olha aí o Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Quando a imprensa vai elogiar o Ronaldinho, elogia porque o futebol dele é alegre, irreverente. Que parece até um moleque jogando pelada. Tudo bem. Isso até pode ser considerado um elogio. Mas é esquisito comparar esses elogios com os elogios que eles fazem para o Zinedine Zidane. O Zidane joga com classe. Tem visão de jogo. É um profissional dotado de impressionante qualidade técnica. E por aí vai. Quer dizer, o Zidane é um jogador profissional. O Ronaldinho Gaúcho não, ele está só divertindo.
Não que os estrangeiros estejam errados ao dizerem essas coisas do brasileiro, não é isso. O grande problema é que eles estão dizendo a mais absoluta verdade. Todo brasileiro é mesmo meio palhaço. E se não é, pelo menos é assim que ele se sente pagando um
terço do seu salário só de impostos.

quinta-feira, junho 08, 2006

Você queria ser o Kaká? - Custodio


Ele é o jogador da moda. Alto, bonito, rico, bom de bola e famoso. Cheio de contratos milionários e campeão do mundo. Essa é a descrição do Kaká. Qualquer homem no mundo gostaria de ser assim.
Menos eu. E tenho meus motivos.
Vejam… fiquei sabendo outro dia que o Kaká casou virgem. Isso mesmo, virgem. Ele e sua esposa, uma linda garota de 18 anos, casaram sem nunca terem experimentado o sexo, num sonho de romantismo estilo Lagoa Azul.
Pois bem… o casamento se deu em dezembro de 2005. Kaká já tinhas seus atuais 23 anos, idade em que muita gente já aprontou um bocado na vida. Mas ele não. A despeito das milhares de fãs jogando calcinhas e se esbofeteando para roubar-lhe um beijo, nosso herói-galã nunca caiu em tentação. Convenhamos, é uma vontade de titânio.
Só que eu me dispus a fazer uma continha básica: profissionalizado aos 18 anos, Kaká deve ter feito em média, no Brasil e na Itália,uns 60 jogos por ano. Jogando 5 anos, isso dá uns 300 jogos profissionais. São contas conservadoras, levando-se em conta o calendário corrido do futebol atual. Foram 300 embates de 90 minutos, suados e prazeirosos.
Se ele casou em dezembro, virgem, e desde então (25 semanas) transou, entre convocações, concentrações, jogos, fotos promocionais e viagens, 2 vezes por semana, temos aí uns 50 embates (digamos que de 90 minutos) suados e prazeirosos. Apenas 16,6% do tempo passado jogando em campo.
Ou seja, até hoje nosso amigo Kaká gozou muito mais na grama que na cama.
E, não é por nada não, mas além disso, ele casou com uma menina novinha, muito religiosa, inexperiente. Deve ser uma esposa perfeita para um bom rapaz como ele, mas não é lá o perfil de uma grande maravilha na cama, esse campo onde também abundam craques e pernas-de-pau.

Podem jogar tomates, mas se for pra viver nesse miserê, acho que troco os milhões de dólares do Kaká por uma cara de zero à esquerda e um saldo bancário negativo.

Alguém discorda?

quarta-feira, junho 07, 2006

não assisti e pronto - artur


Só para provar que eu não ligo mesmo para esse negócio de futebol, fato que alguns amigos (e até o meu pai, veja só) já estão duvidando após descobrirem que eu estou participando aqui desse blog, é que teve uma copa que eu não assisti a final. É, e o Brasil estava jogando. Foi aquela que o Brasil levou uma lavada da França, sabe? Aquela que o Ronaldinho teve um piripaque. Acho que foi em 98... É, 1998 (olhei no Google). Pois eu estava lá no meu rancho, na beira do rio, e quando, lá pelo meio do jogo, eu percebi que a estrada ia ficar um inferno se o Brasil ganhasse, eu peguei minha filha, minha mulher e meu carro e fui embora para casa. De rádio desligado. Só fiquei sabendo que o Brasil tinha perdido quando cheguei em Votuporanga e percebi que não tinha ninguém comemorando. Agora, quer prova maior que eu não ligo para futebol do que esta? Não assistir à final de uma Copa com o Brasil em campo?
Bem, é claro que a minha mulher jura até hoje de pés juntos que eu só não assisti porque eu já havia roído todas as minhas unhas, meus cigarros já tinham acabado e eu estava a ponto de ter um enfarte. Mas isso é ela lá, quem diz.

segunda-feira, junho 05, 2006

Com patrocinio da Nike...